Hiroshima, 21/nov – Uma equipe médica do Japão esteve no Brasil e em outros quatro países da América do Sul para dar assistência aos isseis (japoneses de primeira geração) que foram atingidos pelas bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. “As vítimas querem ter no Brasil o mesmo tratamento que o governo dá aos japoneses aqui”, disse o médico Makoto Matsumura, líder da equipe, durante entrevista coletiva, segundo informou o jornal Mainichi deste domingo.
No Japão, as vítimas das bombas atômicas recebem tratamento médico totalmente gratuito, mas essa assistência não vale às pessoas que moram no exterior. Para quem saiu do arquipélago, o governo japonês dá uma ajuda de até 172 mil ienes por ano, valor que nem cobre as despesas hospitalares, dependendo do tipo de problema.
Quem quiser pode retornar ao Japão para receber tratamento gratuito. Mas, segundo Matsumura, isso acaba se tornando inviável por causa da idade avançada das vítimas (média de 75,1 anos entre os 94 isseis consultados), fazendo com que elas não suportem uma viagem longa de mais de 24 horas.
A equipe médica ficou 18 dias na América do Sul, em outubro. Desde 1985, a cada dois anos, o governo da província de Hiroshima financia a estadia dos profissionais no Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Peru.
No Brasil, o atendimento médico aconteceu em São Paulo, onde estão a maioria das vítimas, e, pela primeira vez, em Belém, no Pará. Na capital paulista, os médicos diagnosticaram câncer de estômago em um homem de 73 anos, vítima da bomba de Hiroshima. Segundo Matsumura, ele precisou de tratamento urgente e, como não foi possível trazê-lo ao Japão, foi submetido a uma cirurgia em um hospital local.
De acordo com o médico, o seguro não deu cobertura e o homem será obrigado a pagar uma conta de mais de um milhão de ienes. Ele e outras duas vítimas entraram com um pedido para que o governo japonês reconheça que as doenças que possuem são decorrentes dos ataques atômicos.
Em abril deste ano, a lei japonesa que regulamenta a assistência às vítimas das bombas foi alterada. Agora, é possível entrar com pedido de reconhecimento de males causados pela irradiação nuclear nas repartições diplomáticas do Japão localizadas em outros países, os consulados, por exemplo. Como nem todas as vítimas sabem dessa mudança, Matsumura fez questão de levar panfletos explicativos em português para distribuir nas cidades que visitou.
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Irradiação nuclear causou queimaduras nas vítimas das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki
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