Tóquio – O Japão pretende autorizar consultas online por vídeo entre farmacêuticos e pacientes sobre os medicamentos receitados a partir de abril de 2020, refletindo a crescente demanda por cuidados médicos domiciliares entre a população que envelhece rapidamente no país, informou a agência de notícias Kyodo na terça-feira.
O governo já permite que médicos conduzam consultas online, e o Ministério da Saúde tem o objetivo de estender legalmente essa possibilidade aos farmacêuticos, enviando ao Parlamento um projeto de lei que elimina a exigência de consultas presenciais para evitar problemas relacionados aos medicamentos.
A lei revisada também permitirá que os pacientes recebam seus medicamentos, mas apenas um grupo limitado poderá tirar proveito do serviço inicialmente, de acordo com o governo.
Antes de lançar o serviço em todo o país, o governo permitiu que pacientes em áreas especialmente designadas nas províncias de Aichi, Hyogo e Fukuoka tivessem consultas online, principalmente em ilhas remotas e áreas com poucos moradores.
As áreas foram criadas em junho do ano passado e o seguro de saúde público começou a cobrir medicamentos obtidos por meio de consultas online a partir de julho.
As consultas médicas online estão amplamente disponíveis no Japão desde 2015, após o lançamento do serviço para residentes em ilhas remotas ou em áreas rurais em 1997.
No entanto, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde estabelecidas em março do ano passado, as primeiras consultas dos pacientes devem ser presenciais.
Especialistas dizem que a telemedicina traz benefícios, podendo diminuir o risco de infecção durante as visitas hospitalares por idosos e outros pacientes, reduzindo os custos.
Brasil
O assunto também foi recentemente discutido no Brasil, onde o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou as consultas online no país.
Médicos brasileiros vão poder realizar consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância. O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou offline.
Por meio de nota, o conselho avaliou que as possibilidades que se abrem com a mudança normativa são “substanciais”, mas precisam ser utilizadas por médicos, pacientes e gestores “com obediência plena” às recomendações. No âmbito da saúde pública, o órgão considera a inovação “revolucionária” ao permitir a construção de linhas de cuidado remoto, por meio de plataformas digitais.
“Além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz o estrangulamento no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes em busca de tratamento”, destacou o CFM.
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