Tóquio – O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar Social do Japão divulgou dados preocupantes, relacionados ao número de mortes de estagiários estrangeiros por acidentes de trabalho.
De 2014 a 2017, os escritórios de critérios básicos de trabalho em todo o país registraram 30 mortes de estrangeiros participantes do programa de estágio do governo.
As mortes não foram especificadas, mas no ano passado, o órgão disse que houve muitos casos de quedas de lugares altos e colisões.
Uma reportagem do jornal Asahi explicou que o número elevado de mortes, muito acima dos dados relacionados aos trabalhadores japoneses, indica que as instruções de segurança aos estrangeiros são insuficientes, mesmo em locais de trabalho como construção e produção de alimentos, onde o risco de acidentes graves é maior.
Dados detalhados do ministério mostraram que houve oito mortes em 2014, nove mortes em 2015, cinco mortes em 2016 e oito vítimas fatais em 2017. O número de estrangeiros cadastrados no programa de estágios do governo pulou de 167.626 em 2014 para 274.233 em 2017.
Em termos de proporções, a taxa de mortes por acidentes para cada 100 mil trabalhadores ficou em 3,64 pessoas, enquanto que no caso dos trabalhadores japoneses, o mesmo índice é 1,73 pessoas.
Os dados sobre mortes de estrangeiros não são os únicos que chamam atenção. O Ministério também revelou um número elevado de estagiários que acabam feridos. Em 2017, 639 estrangeiros tiveram que tirar mais do que quatro dias de folga devido a algum acidente sofrido no trabalho.
Os estagiários estrangeiros são, em sua maioria, cidadãos de países asiáticos, como Vietnã e China. Eles atuam em 80 áreas de trabalho no Japão, como produção de alimentos, construção e agricultura.
Na teoria, o objetivo do programa é proporcionar conhecimento e experiência profissional aos asiáticos, para que aprendam técnicas que possam ser úteis no desenvolvimento de seus próprios países no futuro.
No entanto, o governo tem recebido críticas há anos por aproveitar o programa para obter mão de obra barata, com o objetivo de suprir um pouco da crescente falta de trabalhadores.
Foto: iStockphoto (imagem ilustrativa)




