Tóquio – As famílias de dois adolescentes suspeitos de envolvimento em furto decidiram entrar com um recurso na Associação dos Advogados de Tóquio contra os policiais que investigavam o caso.
Os jovens de 15 anos, estudantes do 3º ano de uma escola ginasial, eram suspeitos de pressionar um colega de aula para cometer um furto. O colega foi pego em flagrante e denunciou os jovens durante depoimento à polícia.
O caso aconteceu em 2015, na delegacia de Takaido, no distrito Suginami, em Tóquio. Uma reportagem da emissora Fuji TV descreveu em detalhes os diálogos gravados durante as duas horas de depoimento.
Na conversa, os policiais usam palavrões e expressões que humilham as vítimas. Um dos responsáveis diz aos meninos que está dando uma nova “chance” para eles e pergunta se eles querem ser presos e entrar na “jaula”, o que seria o fim da vida deles, de acordo com as palavras do policial.
Os jovens negaram participação no crime do colega, mas os policiais continuaram insistindo na culpa. “Vocês ajudaram a cometer um crime, não pensem que irão se safar dessa. Parem de dar desculpinhas seus idiotas, entenderam?”, dizia uma parte do áudio.
No fim da investigação, não foi possível provar que houve participação dos estudantes. Em 2016, a Polícia Metropolitana de Tóquio pediu desculpas pelo comportamento e palavras “inapropriadas” durante a investigação e os dois policiais, na faixa de 40 e 50 anos, foram afastados.
O recurso das famílias foi uma declaração de danos aos direitos humanos junto à Associação de Advogados, concluída na quarta-feira (10).
“Eles foram pegos e encurralados. Não consigo imaginar qual foi o sentimento das crianças durante essas duas horas”, afirmou o pai de um dos jovens.
Foto: Reprodução/ANN
Delegacia de Takaido, no distrito Suginami, em Tóquio




