HIROSHIMA – Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se neste domingo (6) em Hiroshima em cerimônia para refletir sobre a tragédia que mudou o curso da história. Hoje é o 72º aniversário desde que os EUA detonaram uma bomba atômica sobre a cidade em 1945.
Cerca de 50 mil pessoas se reuniram no Peace Memorial Park para homenagear as vítimas. Sobreviventes conhecidos como “hibakusha” se juntaram à multidão. Sua idade média é agora de 81 anos.
Representantes de 80 países também participaram.
As pessoas observaram um momento de silêncio às 8:15, hora exata em que a bomba atingiu a cidade.
Os funcionários colocaram uma lista de 308.725 vítimas em um cenotáfio (memorial fúnebre erguido para homenagear pessoas cujos restos mortais estão em local separado ou desconhecido). A lista inclui o nome de 5.530 pessoas que morreram ou foram confirmadas mortas no ano passado.
O prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, emitiu uma declaração de paz. Ele falou sobre sobreviventes, que descreveram as cenas de devastação e desespero que seguiram o bombardeio e que falaram de seu desejo de paz.
O prefeito disse: “Este inferno não é uma coisa do passado. Enquanto existirem armas nucleares e os políticos ameaçarem usá-las, seu horror poderia aparecer no nosso presente a qualquer momento. Nós poderíamos ver-nos sofrendo sua crueldade (da bomba atômica)”.
Matsui referiu-se a um tratado para proibir armas nucleares que foi adotado por 122 países e territórios da ONU.
Os não signatários incluem potências nucleares como os EUA e a Rússia e os países que dependem da proteção dos países com armas nucleares, incluindo o Japão.
Matsui instou o governo japonês a ajudar a reduzir a divisão sobre o tratado.
O primeiro-ministro Shinzo Abe disse: “Para alcançar verdadeiramente um mundo sem armas nucleares, é essencial que todos os países com e sem armas nucleares trabalhem em conjunto. Nosso país cumpre os seus 3 princípios não-nucleares de não possuir, não produzir ou não permitir armas nucleares em nosso território. E estamos determinados a liderar o mundo trabalhando de perto com os dois lados com esse objetivo em mente”.
Abe disse que, para fazer isso, o Japão precisa transmitir a memória de suas experiências trágicas como uma tragédia compartilhada por todos os seres humanos através de gerações e fronteiras.
Abe também expressou seu compromisso com a Conferência de Revisão do tratado convencional de desarmamento nuclear em 2020. O tratado permite que alguns países tenham armas nucleares, mas tem como compromisso o eventual desarmamento total.
O Japão também marcará o bombardeio de Nagasaki na quarta-feira.
Foto: Reprodução/NHK
Cerimônia do 72º aniversário da bomba atômica de Hiroshima




