Tóquio – Um estudo recente do Instituto de Pesquisa para o Avanço dos Padrões de Vida mostrou que a realização de horas extras gratuitas ainda é um grave problema entre trabalhadores japoneses.
A pesquisa foi conduzida em outubro e teve a participação de duas mil pessoas, entre 20 e 64 anos. O levantamento foi realizado na região metropolitana de Tóquio e em Kansai.
De 524 pessoas que fizeram horas extras em setembro deste ano – excluindo aqueles que exercem funções administrativas –, 200 (38%) não receberam remuneração pelo trabalho fora do horário.
Entre os motivos, 20% dos trabalhadores responderam que o “clima” na empresa não é favorável ao registro das horas extras. Para 19%, o trabalho gratuito é com base nas orientações do chefe. Outros 17% responderam que o sistema de pagamento de horas extras da empresa tem limites.
Em uma reportagem da emissora NHK, um porta-voz do Instituto contou que o resultado é grave. “Ter um alto número de trabalhadores fazendo hora extra sem remuneração é um problema sério. Estes casos também estão relacionados com a morte por excesso de trabalho ou o suicídio de assalariados”, explicou.
O diretor do Instituto de Pesquisa em Negócios da Coorporação Toray, Naoki Atsumi, disse à emissora que muitas vezes o problema é cultural e o ambiente de trabalho impede que o funcionário tome atitudes.
“O aumento das horas extras também acarreta em um aumento dos gastos da empresa. Por isto, em muitos escritórios, os chefes pressionam, de forma silenciosa, para que os trabalhadores não reportem as horas trabalhadas fora do contrato”, explicou.
Esta problemática acaba influenciando no comportamento dos empregados, que se sentem desencorajados a lutar pelos direitos básicos.
“Os funcionários são orientados a exercer um trabalho excessivo e de alta qualidade e tentam cumprir as expectativas do chefe gratuitamente. Isto cria um sistema em que fazer horas extras é óbvio e cumprir o dever sem reclamar provoca uma avaliação positiva do trabalhador” concluiu Atsumi.
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