Tóquio – Enquanto o resto do mundo enfrenta o grande desafio de educar seus jovens em relação aos efeitos danosos do uso de drogas, os jovens japoneses parecem ter aprendido com os erros das gerações passadas e estão conseguindo se manter longe dos problemas relacionados com substâncias ilícitas.
Embora, recentemente, casos de estudantes presos por posse de maconha ganharam destaque na mídia nacional, campanhas educativas promovidas pelos governos locais — algumas, até mesmo, com ilustrações aterrorizantes de crianças se transformando em zumbis depois de usar as chamadas “drogas perigosas” — estão conseguindo educar ou, pelo menos, assustar os jovens.
Em 2014, apenas 13% das pessoas presas por crimes relacionados com drogas tinham entre 20 e 29 anos. Mais da metade (56%) tinha mais de 40 anos, de acordo com a publicação Nikkan SPA.
Membros de grupos mafiosos são os principais distribuidores e usuários de drogas no país. De acordo com um relatório da Agência Nacional de Polícia, cerca de 55% das 10.958 pessoas que foram presas em 2014 por crimes relacionados com drogas eram membros da yakuza.
Vendidas em farmácias nos tempos de guerra
A gíria usada para descrever drogas estimulantes é shabu. O termo vem do verbo “shaburu” ou “sugar”, que se refere ao sentimento de abstinência descrito pelos viciados em metanfetamina, usada legalmente durante e após a Segunda Guerra Mundial.
Um artigo do Jornal Mainichi, de 2005, descreve que drogas estimulantes eram vendidas abertamente nos balcões das farmácias entre os anos de 1943 e 1950, com aprovação do governo. Substâncias a base de metanfetamina eram oferecidas em cápsulas ou em versão injetável.
Sem citar fontes oficiais, o jornal revela que soldados do Exército Imperial usavam esse tipo de droga para superar o medo da morte e lidar com a fadiga. Alguns veteranos entrevistados pelo jornal revelaram que as cápsulas eram distribuídas como parte das “rações” militares nos campos de batalha.
Hiropon e a yakuza
A droga mais consumida na época tinha o nome comercial de Hiropon. O nome da marca, teoricamente, teria se derivado das palavras “hiro”, ou “fadiga”, e “pon”, uma palavra mimética que é usada para descrever algo voando para longe. O jogo de palavras sugeria que, ao consumir a droga, o usuário sentia a “fadiga voar para longe”. Ainda hoje, a marca ainda é lembrada em gírias usadas por viciados mais velhos, que descrevem seu vício como “pon-chu”, uma combinação de chudoku (vício) e Hiropon.
Alguns anos após o fim da guerra, em 1951, os efeitos colaterais danosos do Hiropon forçaram o governo a proibir a sua fabricação e consumo. Imediatamente, as gangues se aproveitaram da imensa massa de dependentes químicos para traficar drogas estimulantes. Essa prática, segundo investigações, continua até hoje.
Em reportagem publicada recentemente, a revista Nikkan SPA entrevistou um detetive aposentado da Polícia Metropolitana de Tóquio, que passou a maior parte de sua carreira investigando viciados e o trafico de drogas na capital japonesa. Ele revelou, com otimismo, que os jovens “estão mais conscientes sobre os perigos causados pelas drogas” e que estão aprendendo com os erros das gerações de seus pais e avós.
Segundo o policial aposentado, os grandes acontecimentos midiáticos em torno de celebridades e esportistas presos por consumo de droga estão contribuindo para passar a imagem para os jovens de que as drogas, além de perigosas, também podem destruir reputações e carreiras.
Foto: Arquivo
Embalagem com droga apreendida pela polícia




