Tóquio, Japão – O Ministério da Defesa do Japão divulgou nesta terça-feira (31) a mobilização de mísseis de longo alcance em duas unidades estratégicas da Força Terrestre de Autodefesa. A ação envolveu o Campo de Kengun, na cidade de Kumamoto, e o Campo de Fuji, localizado em Oyama, na província de Shizuoka, informou a agência Jiji Press.
Com essa iniciativa, as Forças de Autodefesa iniciam a operação prática de armamentos capazes de executar capacidades de contra-ataque, focando na segurança diante da intensificação das atividades militares da China.
Novas nomenclaturas e alcance ampliado
Durante o processo de implementação, a Força Terrestre anunciou novos nomes oficiais para os equipamentos. O míssil terra-navio Tipo 12 atualizado recebeu a denominação de “Míssil Terra-Navio Tipo 25” (25式地対艦誘導弾). Simultaneamente, o projétil de deslizamento de alta velocidade para defesa de ilhas passou a se chamar “Míssil de Alta Velocidade Tipo 25” (25式高速滑空弾).
Em entrevista coletiva após uma reunião de gabinete, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, destacou a relevância da medida. Segundo ele, o esforço é fundamental para fortalecer o poder de dissuasão e a capacidade de resposta do Japão.
De acordo com fontes do ministério, o novo armamento de Kumamoto expandiu o alcance de cerca de cem quilômetros para aproximadamente 1.000 quilômetros, permitindo atingir áreas costeiras do continente chinês.
Reações locais e preocupações com a segurança
A chegada dos mísseis gerou reações distintas nas regiões afetadas. Em Oyama, o prefeito Masahide Komiyama afirmou compreender a necessidade da medida diante do ambiente de segurança rigoroso. No entanto, ele solicitou que o governo mantenha o cuidado com a paz e a segurança dos moradores locais.
Por outro lado, o clima foi de tensão em Kumamoto. Cerca de 30 manifestantes se reuniram em frente ao portão principal do Campo de Kengun com cartazes de protesto.
O grupo expressou receio de que a região se torne um alvo militar em caso de conflitos armados. Além disso, os moradores criticam a ausência de reuniões explicativas por parte do Ministério da Defesa.
Críticas à falta de transparência
A indignação marcou os discursos durante os protestos na base de Kumamoto. Chisato Tanisho, de 40 anos, viajou de Yanagawa para protestar contra a falta de diálogo com a comunidade. Para ela, o governo ignorou os cidadãos ao realizar a instalação sem consultas prévias.
Da mesma forma, Hidemitsu Horiuchi, de 73 anos, demonstrou revolta durante sua fala aos manifestantes. Ele ressaltou que a unidade militar está cercada por áreas residenciais densas. Nesse sentido, os moradores locais temem que a cidade de Kumamoto sofra as consequências diretas de uma escalada militar na região.
Perguntas frequentes
- Qual é o objetivo da instalação desses mísseis?
O governo japonês busca fortalecer a sua capacidade de contra-ataque e dissuasão, especialmente em resposta ao aumento das atividades militares de países vizinhos como a China. - Qual é o alcance do novo míssil Tipo 25 instalado em Kumamoto?
O armamento teve seu alcance ampliado de pouco mais de 100 quilômetros para cerca de 1.000 quilômetros, possibilitando o monitoramento de áreas costeiras do continente vizinho. - Por que há protestos contra a instalação das armas?
Moradores temem que a presença de mísseis de longo alcance transforme as cidades em alvos militares. Além disso, existe uma forte crítica pela falta de reuniões explicativas por parte do governo.




