Tóquio, Japão – O ex-ministro da Segurança Econômica do Japão, Takayuki Kobayashi, anunciou oficialmente nesta terça-feira (16), em coletiva no Parlamento, sua candidatura à eleição para a presidência do Partido Liberal Democrata (PLD).
Como principal bandeira, ele defendeu uma redução linear do imposto de renda voltada aos jovens e à população em idade ativa, além do aumento dos gastos com defesa diante do atual cenário geopolítico, informou o jornal Nihon Keizai.
Será a segunda tentativa de Kobayashi, que já havia concorrido na disputa interna do partido em setembro de 2024. Ele disse sentir “dia após dia a revolta crescente, quase como um grito de desespero, por parte da população ativa em relação ao PLD” e destacou a necessidade de renovação geracional dentro da legenda.
“Ainda vejo resquícios do velho PLD. Assim, o partido não vai mudar”, afirmou, ressaltando não estar preso a nenhuma ala.
Propostas fiscais
Kobayashi defende um modelo em duas etapas: primeiro, uma redução temporária do imposto de renda, com limite de valor para evitar benefícios desproporcionais a quem tem renda alta. Depois, uma reforma estrutural permanente do sistema tributário, com foco em fortalecer a classe média e dar mais suporte à geração economicamente ativa. O candidato disse esperar apresentar uma conclusão em cerca de um ano.
Defesa e segurança
Na área de segurança nacional, Kobayashi defendeu elevar ainda mais os gastos militares, indo além da meta atual do governo de atingir 2% do PIB até 2027.
Para ele, esse valor “está longe de ser suficiente”. Citando a invasão russa da Ucrânia, afirmou que “as guerras entre Estados soberanos voltaram a ser realidade” e que “um país sem vontade de se defender não será defendido por ninguém”.
Política e alianças
Sobre possíveis alianças políticas, o candidato admitiu que a cooperação com partidos de oposição será inevitável, seja em negociações por políticas específicas, seja em conversas para uma coalizão. No entanto, enfatizou: “A coalizão não é um fim em si, mas um meio. Antes de qualquer acordo numérico, o PLD precisa definir sua posição básica”.
Economia e tecnologia
Kobayashi também defendeu medidas para recolocar o Japão como potência tecnológica, prometendo investimentos ousados em setores estratégicos como inteligência artificial, computação quântica e exploração espacial.
Estrangeiros e financiamento político
O candidato propôs endurecer regras sobre aquisição de empresas e terras japonesas por capital estrangeiro.
Quanto ao escândalo de financiamento político envolvendo alas do PLD, mostrou cautela sobre novas punições a parlamentares, lembrando que já houve responsabilizações nos governos de Fumio Kishida e Shigeru Ishiba. “O julgamento definitivo veio nas eleições”, disse, referindo-se ao pleito para a Câmara Baixa em outubro de 2024 e para a Câmara Alta em julho de 2025.
Perfil
Takayuki Kobayashi, de 50 anos, é parlamentar da Câmara Baixa eleito pelo 2º distrito de Chiba e está em seu quinto mandato. Ex-integrante da ala de Toshihiro Nikai, disputa pela segunda vez a presidência do PLD, após a tentativa frustrada do ano passado.
Formado pela Universidade de Tóquio, ingressou em 1999 no então Ministério das Finanças. Durante o período em que trabalhou na Embaixada do Japão em Washington, passou a se preocupar com a queda da influência internacional do país e decidiu entrar para a política.
Na época, escreveu uma longa carta ao então presidente do PLD, Sadakazu Tanigaki — quando o partido ainda estava na oposição — pedindo diretamente a oportunidade de concorrer a uma vaga.
Kobayashi foi eleito parlamentar pela primeira vez em 2012 e, em 2021, entrou no gabinete de Fumio Kishida como ministro encarregado da Segurança Econômica, mesmo com apenas três mandatos na época. Desde o início de sua carreira, declarou abertamente que almeja se tornar primeiro-ministro: “Quero um dia assumir o leme do país”.
Na eleição interna de 2024, contou com apoio de parlamentares jovens e de meia carreira, mas terminou em 5º lugar entre nove candidatos no primeiro turno. Durante o atual governo de Shigeru Ishiba, não ocupou cargos de destaque, mas manteve sua base política por meio de um grupo de estudos de políticas públicas que lidera.
Kobayashi se define como um “conservador moderado”, com firmeza em princípios, mas tolerância a opiniões divergentes. Seu lema é: “Construir um Japão que lidere o mundo”.
Para ele, o fortalecimento nacional depende do equilíbrio entre economia e segurança, com ênfase em inovação e educação como motores centrais desse projeto.




