Tóquio, Japão – Imagens divulgadas na China mostram pessoas andando cambaleantes, tremendo e sem coordenação, lembrando personagens de filmes de terror. Trata-se dos efeitos de um novo entorpecente sintético, apelidado de “droga zumbi” ou “tabaco zumbi”, cuja ameaça começa a se aproximar do Japão, informou a TV Asahi em uma recente reportagem sobre o problema.
A droga tem como base o etomidato, uma substância desenvolvida na Bélgica em 1964 e utilizada em alguns países como anestésico e sedativo, mas que não possui aprovação médica no Japão.
Em 16 de maio deste ano, o etomidato foi incluído na lista de substâncias controladas no Japão, tornando proibida sua fabricação, importação, venda, posse e uso, exceto em fins médicos.
O risco maior está no uso em líquidos de cigarro eletrônico, prática que vem sendo identificada na Ásia. A inalação causa supressão do sistema nervoso central, levando a convulsões, tremedeiras e comportamento semelhante à embriaguez extrema. Por isso, ganhou o apelido de “droga zumbi”.
Nos últimos meses, surgiram ocorrências ligadas ao etomidato no Japão:
- 9 de julho, Urasoe (Okinawa): dois homens na faixa dos 20 anos foram presos por posse da substância, apresentando convulsões nas pernas e braços.
- 10 de julho, Naha (Okinawa): um adolescente de 16 anos foi detido; policiais relataram tremores intensos e gritos descontrolados durante a abordagem.
- 4 de agosto, Yokkaichi (Mie): um homem de 30 anos foi preso por posse e uso. Ele alegou ter pensado que se tratava de uma “droga legal”.
“Mesmo em quantidades extremamente pequenas, o etomidato pode causar efeitos irreversíveis dependendo da forma de uso. O abuso já é um problema em Hong Kong e Taiwan, e existe a possibilidade de que a droga esteja chegando ao Japão a partir dessas regiões. Jovens, em especial, correm risco de ter contato com essas substâncias pela internet”, alertou o professor Kazuho Abe, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Musashino, em Tóquio.
Autoridades japonesas reforçam o alerta sobre os perigos da nova droga, temendo um aumento no número de casos entre adolescentes e jovens adultos.




