Tóquio, Japão – Em uma operação rara no Japão, agentes conseguiram apreender mais de 1 tonelada de maconha seca, avaliada em cerca de ¥5,2 bilhões, que havia sido enviada do Vietnã. A ação, que ocorreu em junho deste ano e foi divulgada somente na quarta-feira (13), é considerada a maior apreensão de drogas já registrada no país de uma única vez, segundo a emissora NHK.
Do Vietnã a Tóquio: a rota da droga
Segundo as investigações, o navio usado no transporte deixou o porto de Da Nang, no Vietnã, em 26 de maio, fez escala na China e chegou ao Porto de Tóquio no dia 5 de junho. A carga estava declarada como carvão vegetal, acondicionada em cerca de 1.500 caixas de papelão.
Durante inspeção de rotina, agentes da Alfândega de Tóquio descobriram que aproximadamente 200 dessas caixas escondiam a maconha.
A decisão de não apreender imediatamente
Em vez de confiscar a droga no porto, o Departamento de Controle de Narcóticos do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar optou por uma estratégia conhecida como live controlled delivery, uma modalidade da chamada “operação de vigilância controlada” ou “operação de entrega vigiada”.
Diferente de outras técnicas, o conteúdo não foi substituído por outro material, reduzindo o risco de o grupo criminoso perceber que está sendo investigado, informou a NHK.
O trajeto dentro do Japão
Sob vigilância constante, a carga deixou o porto com destino declarado para Osaka, mas seguiu rumo ao norte, sendo descarregada em um depósito de materiais na província de Tochigi. Lá, os agentes aguardaram o momento certo para agir.
Quando membros do grupo foram ao local para buscar parte da maconha, a polícia prendeu três vietnamitas. As autoridades acreditam que uma organização internacional de tráfico esteja por trás do esquema e continuam investigando a rede envolvida.
Consumo de maconha cresce entre jovens
O aumento das apreensões de maconha nas fronteiras japonesas está diretamente ligado a um fenômeno preocupante: a expansão do consumo entre jovens no país.
No ano passado, segundo a NHK, as alfândegas japonesas registraram 390 casos de maconha interceptada em aeroportos e portos, o maior número registrado até agora. No mesmo período, a polícia e o Departamento de Controle de Narcóticos detiveram 6.342 pessoas por posse ou tráfico — a segunda maior marca desde 1951, atrás apenas de 2022.
Mais de 70% dos detidos – cerca de 4.600 – tinham menos de 30 anos, incluindo adolecentes. Em comparação a 2015, esse número cresceu mais de quatro vezes. Autoridades destacam que, nas redes sociais, traficantes costumam usar termos codificados como yasai (verdura) para se referir à maconha, dificultando a detecção.
Medidas reforçadas de combate
Para conter o avanço, desde 2020 o governo japonês vem fortalecendo os chamados “Setores de Combate ao Tráfico” nos principais centros, como Tóquio e Osaka. Esses núcleos atuam em parceria com a polícia, alfândega e Guarda Costeira, e tiveram participação direta na investigação que levou à apreensão recorde de 1 tonelada de maconha proveniente do Vietnã.
Mercado lucrativo
De acordo com Haruumi Seto, ex-diretor do Departamento de Controle de Narcóticos da Região Kanto-Shinetsu, a maconha no Japão pode ser vendida por um valor cinco vezes maior do que no exterior, tornando o país um alvo para redes de tráfico internacionais. “Um carregamento como o apreendido agora equivale a cerca de 200 milhões de porções. Para os criminosos, o potencial de lucro é altíssimo”, afirmou.
Seto também alertou para a facilidade de acesso: “Hoje, é possível comprar maconha por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, e qualquer pessoa pode virar ‘vendedor’ por conta própria. A percepção de risco é muito baixa e, para alguns jovens, a maconha já se tornou a principal droga.”
O especialista acrescentou que, além das remessas vindas do exterior, cresce a quantidade de maconha cultivada dentro do próprio Japão. Para ele, é fundamental que as autoridades unam esforços no combate tanto ao tráfico internacional quanto ao cultivo doméstico, a fim de frear a expansão do consumo.




