Yuji Moriyama, de Nagoia, um dos professores presos. Foto: Reprodução/JNN
Nagoia, Japão – A polícia de Nagoia (Aichi) está investigando um grave caso de pornografia infantil envolvendo educadores. Dois professores de escolas primárias foram presos sob a acusação de terem filmado secretamente meninas em idade escolar, especialmente suas roupas íntimas, e compartilhado imagens e vídeos em um grupo privado nas redes sociais, informou a emissora NHK nesta quinta-feira (26).
A polícia prendeu, por enquanto, os professores Yuji Moriyama, 42 anos, de Nagoia, e Fumiya Kosemura, 37 anos, de Yokohama (Kanagawa).
Segundo informações obtidas junto a fontes da investigação, o grupo online era formado por cerca de 10 professores de escolas primárias e ginasiais. As autoridades investigam agora a origem e o funcionamento da rede.
De acordo com a polícia, Moriyama e Kosemura admitiram as acusações. Os registros indicam que as filmagens aconteceram entre o ano passado e este ano, em instalações localizadas nas províncias de Aichi e Kanagawa.
O grupo era supostamente administrado por Moriyama, que atualmente lecionava na escola primária Kosaka, em Nagoia. Ele ocupava a função de “shukan kyoyu” — uma espécie de professor coordenador que auxilia o diretor e o vice-diretor — desde abril deste ano.
A troca de conteúdo entre os membros incluía cerca de 70 imagens de meninas, algumas das quais teriam sido feitas dentro de escolas. Ainda segundo a investigação, os integrantes do grupo avaliavam entre si o “valor” do material compartilhado.
Casos só vieram à tona após outro crime
O caso só veio a público depois que outro professor, supostamente membro do mesmo grupo, foi preso em março por outro crime: ele teria danificado o pertence de uma mulher ao ejacular em sua mochila. A partir dessa ocorrência, a polícia passou a monitorar possíveis conexões, o que levou à descoberta da rede de compartilhamento ilegal de imagens de menores.
A Secretaria de Educação da cidade de Nagoia afirmou que não tinha conhecimento das filmagens clandestinas feitas por funcionários das escolas municipais.
Especialistas pedem reforço na prevenção
Mieko Miyata, diretora da ONG Instituto Japonês de Pesquisa em Educação para a Segurança Infantil, destacou que a posição de autoridade ocupada por professores pode dificultar a detecção de abusos desse tipo.
Segundo ela, a prevenção pode ser feita com medidas simples, como manter portas de salas de aula abertas sempre que possível; garantir a supervisão constante por parte da direção da escola e evitar que crianças fiquem a sós com professores, além de criar um ambiente em que os alunos se sintam seguros para relatar qualquer comportamento estranho por parte de adultos.
Miyata reforça que o mais importante é desenvolver um ambiente escolar baseado na confiança e na transparência, onde crianças possam pedir ajuda sem medo ou hesitação.




