Tóquio, Japão – A sensação de solidão no ambiente de trabalho tem se tornado um problema cada vez mais sério no Japão, tanto para japoneses quanto para brasileiros. Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio revelou que 1 em cada 12 pessoas que trabalham em empresas, organizações e repartições públicas no país sente-se solitária no trabalho.
A Alternativa teve acesso ao estudo japonês que analisou respostas de 24 mil trabalhadores no país. Os cientistas acharam uma ligação direta entre jornadas excessivas e a deterioração da saúde mental, com impactos significativos na vida familiar dos funcionários. Tudo isso, segundo os pesquisadores, afeta o índice de solidão e isolamento no trabalho.
Entenda a solidão no trabalho
A solidão no trabalho começa a afetar a pessoa quando surge uma sensação de desconexão social que afeta diretamente o bem-estar mental e físico do trabalhador. Dados do estudo de 2025 revelam que 9% dos trabalhadores sofrem de solidão geral, enquanto 8,3% enfrentam solidão no trabalho.
O artigo afirma sobre quão grave é esse problema: “Solidão, um sentimento angustiante de estar sozinho, tem atraído atenção recentemente no campo da saúde pública. A solidão na vida (solidão geral) é comum e conhecida por ter um efeito prejudicial sobre a saúde e o bem-estar das pessoas. A solidão também é comum no ambiente de trabalho (solidão no trabalho). A solidão no ambiente de trabalho também tem sido associada a impactos na saúde e no bem-estar dos funcionários, assim como em resultados relacionados ao trabalho, como esgotamento profissional (burnout), menor satisfação no trabalho, redução no desempenho profissional e maior rotatividade.”
Brasileiros no Japão e a solidão: um alerta
Para a comunidade brasileira residente no Japão, esses dados acendem um alerta importante. A solidão no trabalho, embora muitas vezes invisível, também afeta estrangeiros de maneira particular — sobretudo aqueles que enfrentam barreiras linguísticas e culturais.
Relatos de estrangeiros atuando em empresas japonesas reforçam a dificuldade de se integrar plenamente a um ambiente dominado por normas sociais rígidas e por uma comunicação muitas vezes pouco acessível para quem não domina o idioma japonês. Mesmo trabalhadores fluentes na língua podem se sentir deslocados diante de referências culturais e dinâmicas de grupo profundamente enraizadas.
Um profissional estrangeiro que trabalha em marketing em Tóquio compartilhou como a falta de oportunidades para troca de ideias e a distância cultural geram um sentimento constante de isolamento. Segundo ele, mesmo inserido em uma equipe de quase 20 pessoas, a ausência de espaço para brainstorming coletivo e a diferença de interesses cotidianos tornam a experiência solitária — ainda que não haja qualquer intenção discriminatória.
Essas barreiras se tornam especialmente desafiadoras para os que vivem no Japão a longo prazo e tentam construir uma carreira estável em empresas locais. A sensação de estar sempre do “lado de fora” pode ser agravada por estruturas organizacionais pouco preparadas para acolher a diversidade.
A solidão no trabalho, como mostra o estudo da Universidade de Tóquio, é um reflexo de sistemas que precisam evoluir. Para os brasileiros que vivem e trabalham no Japão, reconhecer essa realidade pode ser o primeiro passo para buscar apoio, fortalecer redes e promover mudanças.
Para você ler o artigo na íntegra: https://academic.oup.com/joh/article/67/1/uiaf015/8051429
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