Tóquio, Japão – O número de crianças do ensino fundamental e médio que se recusaram a ir para a escola no Japão atingiu um recorde de 415.252 no ano fiscal de 2023, que terminou em março passado, divulgou o Ministério da Educação na quinta-feira (31), publicou a Jiji Press.
O total de alunos faltosos nas escolas de ensino fundamental e médio aumentou em cerca de 47.000 em relação ao ano anterior para um recorde de 346.482, marcando o 11º ano consecutivo de aumento.
Dentre esses, o número de estudantes do ensino fundamental ausentes chegou a 130.370, cinco vezes mais do que há 10 anos, enquanto o de estudantes do ensino médio foi de 216.112, 2,2 vezes maior do que há 10 anos.
Além disso, o número de estudantes do colegial faltantes aumentou pelo terceiro ano consecutivo, chegando a 68.770.
Maus-tratos
Os motivos para os alunos não irem para a escola são vários: 32,2% por “falta de motivação para a vida escolar”, seguidos por 23,1% com “ansiedade/depressão”, e 23% por “distúrbio do ritmo diário”.
O número de casos reconhecidos como maus-tratos (ijime, em japonês, ou bullying, em inglês) foi de 588.930 em escolas primárias, 122.703 em escolas ginasiais, 17.611 em colégios, além de 3.324 em escolas para alunos com necessidades especiais, num total de 732.568 registros.
Apesar do alto número de maus-tratos, os casos reconhecidos como “situações graves”, como suicídio ou recusa de frequentar a escola devido ao bullying, aumentaram em mais de 380, para o recorde de 1.306 casos, e quase 40% das denúncias não foram reconhecidas como bullying pelo governo ou escola.
Entretanto, um total de 397 crianças e estudantes cometeram suicídio, o terceiro maior número de sempre.
O Ministério reconhece: “É necessária uma mudança na consciência dos pais de que a educação precisa de ser adaptada à situação da criança. É necessário dar apoio”, disse um representante do órgão, acrescentando que houve casos em que as escolas foram incapazes de responder sistematicamente ao bullying, resultando em situações graves.
Tomomi Takahashi, do Centro de Pesquisa sobre Bullying e Orientação Estudantil da Universidade de Educação de Joetsu, que está familiarizado com questões de recusa escolar e bullying, disse: “Estamos chocados que o número de crianças que não frequentam a escola tenha aumentado. Há uma mudança na mentalidade tradicional de que não ir à escola é ruim.”
Takahashi acrescentou que as crianças podem aprender num local que lhes seja conveniente, em vez de terem de ir à escola sob stress.
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