Kagoshima, Japão – Um policial aposentado confessou em um tribunal que vazou documentos internos para um jornalista porque queria expor a corrupção cometida pelo chefe de polícia na província de Kagoshima, publicou o Asahi.
Takashi Honda, 60 anos, disse em audiência que alguns dos casos envolveram o chefe de polícia encobrindo atos criminosos cometidos por policiais.
“Como policial, eu simplesmente não conseguia tolerar isso”, disse Honda, que foi chefe do Departamento de Segurança Comunitária da polícia municipal, no Tribunal Sumário de Kagoshima, na quarta-feira (5).
Entenda o caso
O policial aposentado foi preso no dia 31 de maio sob suspeita de violação da Lei Nacional de Serviço Público.
A polícia informou que Honda enviou documentos confidenciais para um jornalista em março, os quais continham nomes, idades e outros dados.
O réu se aposentou do Departamento de Polícia em 25 de março e os documentos foram vazados pouco depois.
Honda afirmou no tribunal que agiu assim devido à onda de escândalos que abalaram o departamento de polícia da província.
“Senti que devia revelar os fatos à população da província de forma imediata e trabalhar para restaurar a sua confiança na polícia”, disse ele.
Um dos casos envolveu um policial cometendo ato de voyeurismo em dezembro de 2023, mas o chefe da polícia na província, Akiteru Nogawa, relutou em abrir uma investigação.
Honda contou que Nogawa teve a mesma atitude com relação a outros casos nunca tornados públicos.
“Fiquei desapontado com a atitude da polícia da província de tentar encobrir verdades inconvenientes. Achei que o escândalo seria revelado se a mídia o denunciasse.”
O réu acrescentou: “Nunca fiz isso para meu próprio benefício e espero sinceramente que a polícia da província admita o que está errado e renasça como uma organização na qual o povo da província confia novamente.”
Agência investigará
O advogado de Honda, Keitaro Nagasato, afirmou na audiência que seu cliente vazou a informação para um repórter “por justa indignação”.
“É uma espécie de denúncia, por assim dizer. É claramente injusto punir Honda ou detê-lo por um longo período de tempo. Ele deveria ser libertado imediatamente”, disse o advogado.
Mas na quinta-feira (6) o Tribunal Sumário de Kagoshima indeferiu o pedido para revogar a detenção de Honda.
Nogawa divulgou um comunicado, dizendo o seguinte: “É extremamente lamentável que (Honda) tenha sido preso no meio de uma série de prisões de policiais”.
Ele pediu desculpas ao povo da província e disse: “Tomaremos medidas preventivas mais drásticas e abrangentes no futuro”.
O Comissário Geral da Agência Nacional de Polícia, Yasuhiro Tsuyuki, disse que conduzirá uma inspeção da polícia da província de Kagoshima com base nos resultados de uma investigação realizada pela mesma força policial da província.
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