Tóquio, Japão – Cerca de 90% dos jovens reabilitados em escolas de formação juvenil tiveram “experiências adversas na infância”, incluindo abuso físico e mental, segundo um relatório do Ministério da Justiça, publicou o jornal Asahi.
O órgão considera que é importante a compreensão e apoio por parte das pessoas que trabalham com estes jovens, porque as dificuldades na infância muitas vezes causam traumas que levam a problemas graves na idade adulta.
Os jovens enviados para escolas de formação juvenil para reabilitação cometeram crimes ou se envolveram em outros atos de delinquência.
Na pesquisa feita pelo Ministério, os entrevistados precisaram responder se foram expostos a uma ou mais situações adversas na infância dentro de um leque de12 tipos.
Do total de entrevistados, 564, ou 87,6%, responderam que tiveram pelo menos uma experiência perturbadora, sendo o maior percentual entre as meninas.
Entre os abusos citados, a “violência por parte de familiares” foi a mais relatada, com 61% das respostas. Em seguida, “morte ou divórcio dos pais” foram apontados por 60,6% dos jovens, enquanto “abuso psicológico de membros da família” foram citados por 43,8%.
Estudos indicam que crianças que passam por traumas assim podem desenvolver na idade adulta dependência de álcool ou pensamentos suicidas.
O Ministério da Justiça iniciou em 2019 um programa de preparo para funcionários de escolas de formação juvenil sobre a identificação de características de traumas e como dar orientação aos jovens.
Em 2020, representantes do Ministério deram palestras nestas escolas sobre o tratamento de traumas em cooperação com a Resilience, uma organização sem fins lucrativos que apoia vítimas de violência e abuso doméstico.
Tomokatsu Yamazaki, diretor de uma clínica de saúde mental infantil chamada Kodomo no Kokoro no Shinryo-jyo, em Hamamatsu, província de Shizuoka, disse que, ao lidar com crianças que passaram por tais dificuldades, é crucial primeiro garantir sua segurança e ouvi-las com atenção.
Salientou também a importância de considerar estas questões como problemas que afetam toda a família, porque os pais muitas vezes carecem de bem-estar mental após experiências semelhantes, como a violência doméstica.
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