Tóquio, Japão – A Honda prevê prejuízo líquido entre 420 bilhões e 690 bilhões de ienes no atual ano fiscal, que termina em março, segundo anúncio feito pela montadora na quinta-feira (12). O resultado pode marcar o primeiro prejuízo anual da empresa desde sua abertura de capital, há quase 70 anos.
Além disso, a empresa informou que as perdas estão ligadas à reformulação de sua estratégia no mercado de veículos elétricos. A estimativa inclui um impacto de cerca de 2,5 trilhões de ienes relacionado à revisão do negócio nesse segmento.
Logo após o anúncio, a companhia também comunicou medidas internas para lidar com o cenário financeiro negativo.
Honda prevê prejuízo após mudança nas projeções
A estimativa divulgada mostra uma mudança significativa em relação às projeções anteriores. Inicialmente, a montadora esperava registrar um lucro de 300 bilhões de ienes neste ano fiscal.
No entanto, a revisão das estratégias para veículos elétricos levou a empresa a recalcular seus resultados financeiros. Assim, a Honda prevê prejuízo líquido pela primeira vez desde 1957, ano em que abriu capital.
Segundo informações divulgadas pela agência Kyodo News, a empresa avalia que a reorganização do negócio exigirá ajustes contábeis e estratégicos.
Corte salarial de executivos para enfrentar o cenário
Como resposta ao cenário negativo, a diretoria anunciou redução temporária de salários. O CEO e o vice-presidente da montadora terão cortes de 30% na remuneração durante três meses no ano fiscal de 2026.
Além disso, a empresa decidiu suspender o pagamento de incentivos baseados em desempenho neste ano fiscal.
Ao mesmo tempo, executivos informaram que a companhia prepara um novo plano estratégico, que pretende redefinir suas prioridades no mercado global de veículos elétricos. A expectativa é apresentar esse projeto em maio.
Revisão da estratégia de veículos elétricos
A montadora também confirmou mudanças em seus projetos de mobilidade elétrica. A empresa decidiu interromper o desenvolvimento de três modelos de veículos elétricos destinados ao mercado da América do Norte.
De acordo com a companhia, a meta de vendas para carros elétricos tornou-se difícil de atingir no cenário atual do mercado. Enquanto isso, a Honda prevê prejuízo relacionado justamente à reavaliação desses projetos e investimentos.
Metas climáticas continuam, mas com ajustes
Em 2021, a Honda anunciou que pretendia abandonar completamente os veículos movidos a gasolina até 2040. A medida fazia parte de um plano global de descarbonização.
No entanto, o crescimento mais lento da demanda por carros elétricos criou obstáculos para essa transição.
Por isso, a empresa decidiu rever seus investimentos no setor. Em maio do ano passado, a montadora reduziu seu plano de investimento em veículos elétricos até 2030.
O valor previsto caiu de 10 trilhões para 7 trilhões de ienes. Segundo a empresa, a decisão considerou fatores como tarifas americanas mais altas e a demanda global mais fraca por veículos elétricos.
Metas de vendas também foram reduzidas
Além do investimento, a montadora revisou suas metas de vendas. Inicialmente, a Honda pretendia que veículos elétricos representassem 30% das vendas totais até 2030. Agora, a meta foi reduzida para cerca de 20%.
Apesar disso, a empresa afirma que mantém seu objetivo de longo prazo. A estratégia continua prevendo uma transição completa para veículos elétricos e modelos movidos a célula de combustível até 2040.
Por fim, executivos indicam que o novo plano de negócios deve esclarecer como a montadora pretende alcançar essa meta em um mercado mais desafiador.
Principais pontos dessa notícia:
Por que a Honda prevê prejuízo neste ano fiscal?
A empresa estima perdas relacionadas à revisão de sua estratégia para veículos elétricos e a ajustes contábeis ligados a investimentos no setor.
A Honda desistiu dos veículos elétricos?
Não. A montadora apenas revisou investimentos e metas de vendas, mas mantém o plano de transição para veículos elétricos até 2040.
O que muda na estratégia da Honda?
A empresa interrompeu alguns projetos de veículos elétricos e reduzirá investimentos no setor até 2030.




