Kani, 1/dez – Dois brasileiros entraram com um processo na Corte Sumária de Mitake (Gifu) contra uma imobiliária que estaria cobrando ilegalmente uma taxa de intermediação, segundo informou o site Asahi.com nesta quarta-feira. Em setembro, outros oito estrangeiros, entre brasileiros e filipinos, também tinham movido uma ação com o mesmo conteúdo.
De acordo com o processo movido na terça-feira 30, os dois brasileiros alugaram um apartamento em Kani (Gifu), por intermédio da imobiliária em questão, em maio deste ano, época em que estavam desempregados. Em seguida, um representante da imobiliária foi até a prefeitura e entrou com pedido de seikatsu hogo (ajuda financeira mensal para quem está passando por dificuldades) para os novos inquilinos.
Os dois brasileiros, de 47 e 64 anos, exigem a devolução de 194 mil ienes, valor referente às taxas de intermediação cobradas pela imobiliária a partir do momento que eles começaram a receber o dinheiro do seikatsu hogo. Segundo os brasileiros, essas taxas não têm fundamento legal porque não constam no contrato.
Na primeira audiência realizada em setembro, depois que o grupo de oito estrangeiros moveu a ação judicial, a imobiliária alegou que a cobrança das taxas de intermediação consta nos termos de concordância assinados pelos inquilinos.
Negócio oportuno
A prefeitura de Kani descobriu, através de uma investigação, que a grande maioria dos inquilinos estrangeiros que conseguiram o seikatsu hogo através da imobiliária estava pagando a taxa. Em função disso, a prefeitura está sugerindo que eles quebrem o contrato e procurem uma nova moradia.
De acordo com o levantamento, realizado a partir de outubro, das 47 residências de brasileiros e filipinos locadas pela imobiliária, 44 estavam pagando a taxa mensal de 15,5 mil ienes e 39 disseram que não receberam explicações no momento de assinar o contrato. Em função do pagamento, 41 lares responderam que passam por dificuldades financeiras porque a taxa consome boa parte do dinheiro recebido pela prefeitura.
Em Kani, o seikatsu hogo proporciona um pagamento mensal de 105 mil ienes para quem mora sozinho e 141,5 mil para residências com duas pessoas. Subtraindo o aluguel de 37 mil e mais as taxas cobradas pela imobiliária, sobravam 47 mil e 66 mil, respectivamente.
Com o resultado da investigação, a prefeitura concluiu que a imobiliária estava se aproveitando da situação dos inquilinos para obter lucros e, por isso, não vai mais aceitar nenhum pedido de seikatsu hogo vindo dela. Dos 47 lares, 18 já se mudaram e os outros 29 estão procurando apartamentos com a ajuda da prefeitura.




