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Brasil

Apesar do reforço policial, Rio continua sofrendo ataques

Mais dois ônibus foram incendiados, um na Rodovia Presidente Dutra e outro em São João de Meriti, na Baixada Fluminense

Por Redação
27 de novembro de 2010
em Brasil
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Rio de Janeiro, 26/nov – A onda de ataques no Rio de Janeiro continuou na madrugada de sexta-feira 26, mesmo depois da ocupação pela polícia da Vila Cruzeiro, na Penha, na zona norte, que era considerada uma fortaleza do tráfico. Mais dois ônibus foram incendiados, um na Rodovia Presidente Dutra, na pista sentido São Paulo, e outro em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, criminosos atearam fogo em cinco carros nas zonas sul e norte da capital e nas regiões metropolitana e dos Lagos.

Chegam na sexta-feira ao Rio os 800 militares do Exército que vão reforçar as operações policiais. O apoio atende a pedido do governador Sérgio Cabral. Também serão enviados ao estado dois helicópteros da Força Aérea e dez veículos blindados, além de equipamentos de comunicação e óculos para visão noturna. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vem ao Rio hoje para se reunir com o governador Sérgio Cabral e o secretário de segurança do estado, José Mariano Beltrame.

Os cerca de 100 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), a tropa de elite da Polícia Militar (PM), que passaram a noite na Vila Cruzeiro fazem uma varredura no local para apreender armas e drogas. O policiamento também está reforçado nas estradas do estado desde quinta-feira 25, mas ainda não há informações sobre apreensões ou prisões.

Também por conta dos ataques, a emergência do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, está reforçada. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, as folgas foram suspensas para garantir o atendimento à população. Ontem, oito pessoas foram baleadas nos confrontos entre policiais e traficantes e seis continuam internadas.

Mais nove homens suspeitos de participar dos ataques que estão presos na Polinter do Grajaú, na zona norte, serão transferidos ainda hoje para presídios federais em outros estados.

Desde domingo, mais de 70 veículos foram incendiados no Rio e 34 pessoas morreram. Dos mais de 150 detidos, 67 continuam presos.

Motivação financeira

O autor do livro Guerra Irregular, Alessandro Visacro, associou a série de ataques criminosos no Rio de Janeiro aos prejuízos financeiros e à perda de território de traficantes. Para ele, os motivos dos conflitos não são políticos ou ideológicos.

“O que acontece no Rio de Janeiro é que a motivação do conflito não é política e ideológica, a violência está associada simplesmente à obtenção de lucros financeiros decorrentes do tráfico de drogas e de armas”, disse Visacro, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

A publicação aborda os conflitos modernos como o terrorismo e as guerrilhas urbanas. O especialista destacou que, com o aumento da presença do Poder Público em territórios até então ocupados por traficantes no Rio, os criminosos perderam espaço.

“De forma até natural era de se esperar uma ação violenta desses grupos que perdem parte de seu território. Então esse tipo de reação era de certa forma previsível.”

Ele defendeu a implementação, pelo Estado, de uma política efetiva de segurança pública. “A longo prazo, o êxito contra a violência urbana está diretamente associado à formulação e implementação de uma política de Estado que hoje no Brasil não existe.”

O especialista avalia que as ações de combate à criminalidade adotadas pelo governo do Rio têm recebido o apoio da população. “Porém é necessário tomar cuidado para não extrapolar na resposta, que tem de ser dada de forma proporcional, a fim de não reverter esse apoio popular.”

Tags: alternativanoticias do japaonoticias japão

Redação

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