Tóquio, Japão – A Honda decidiu abandonar um dos pilares mais ambiciosos de sua estratégia global: a meta de vender exclusivamente carros elétricos e movidos a célula de combustível até 2040.
A mudança ocorre após prejuízos bilionários no setor de veículos elétricos, especialmente na América do Norte, informou a emissora NHK na semana passada.
A montadora havia estabelecido o objetivo como parte de seu plano de descarbonização, mas agora admite a necessidade de rever o caminho. No mês passado, a empresa revelou que o desempenho fraco do negócio de EVs na América do Norte pode gerar perdas de até 2,5 trilhões de ienes, o que acelerou a reavaliação de toda a estratégia automotiva.
De acordo com fontes ligadas à empresa, a nova diretriz abandona a meta anterior e evita estabelecer números claros sobre a proporção de veículos elétricos nas vendas futuras.
Honda mantém compromisso de neutralidade de carbono
Apesar disso, a Honda mantém o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono até 2050. A empresa considera não apenas seus produtos, mas também todas as atividades corporativas.
Para atingir esse objetivo mais amplo, a montadora pretende adotar uma abordagem mais flexível. Isso inclui não apenas veículos elétricos e a hidrogênio, mas também o uso de biocombustíveis e tecnologias de captura de dióxido de carbono.
O recuo acontece em um momento de incerteza no mercado global de veículos elétricos. A desaceleração da demanda, influenciada por mudanças nas políticas dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, impactou diretamente o ritmo de expansão do setor e obrigou montadoras a reverem seus planos.
Projeto bilionário de carros elétricos no Canadá suspenso
Como parte desse reposicionamento, a Honda também decidiu suspender por tempo indeterminado a construção de uma fábrica de veículos elétricos e baterias no Canadá.
A montadora instalaria o projeto em Ontário após anúncio em abril de 2024, com previsão de início das operações em 2028.
No entanto, diante do crescimento abaixo do esperado do mercado de EVs nos Estados Unidos — principal destino das exportações —, a empresa já havia anunciado em maio de 2025 o adiamento do cronograma em cerca de dois anos. Agora, a decisão é de suspender o plano sem prazo definido para retomada.
