Roma, 21/nov – Após a divulgação da notícia de que o Papa Bento XVI admite a utilização de camisinhas em alguns casos para evitar a propagação do vírus HIV, várias personalidades, ligadas à Igreja ou a campanhas contra a Aids, aplaudiram a histórica declaração. “É um passo a frente, significativo e positivo”, considerou o diretor executivo do programa ONUSIDA, Michel Sidibé. O dirigente diz que Bento XVI “reconhece que um comportamento sexual responsável e o uso do preservativo têm um papel importante na prevenção da Aids”.
Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Bento XVI foi “bastante pragmático e realista”. Ele admitiu que “esta posição reflete a consciência e compreensão pelo Papa e pelo Vaticano de que a Aids é uma das doenças mais graves do mundo e que afeta milhões de vidas”.
Mais contido, o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, disse que não há nada de “revolucionário” na atitude do Papa. Ele alerta que não é intenção de Bento XVI “reformar ou mudar” os ideais da Igreja, que sempre condenou o uso de preservativos.
As declarações de Bento XVI estão sendo publicadas no livro-entrevista Luz do Mundo, de autoria do jornalista alemão Peter Seewald. O Papa defende que, em alguns casos, o uso da camisinha “pode ser o primeiro passo para a moralização” da sexualidade, “um primeiro ato de responsabilidade”. Lombardi reconheceu que apesar de outros teólogos e eclesiásticos terem já defendido posições semelhantes, “até agora nunca tínhamos ouvido isto com tanta clareza vindo da boca de um Papa, ainda que de forma informal e não oficial”.
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Papa Bento XVI: uso da camisinha pode ser o primeiro passo para a moralização da sexualidade
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