တိုကျို – Quando as cerejeiras em Quioto atingiram seu ponto máximo de floração, no dia 26 de março deste ano, muita gente não deve ter reparado em um fenômeno diante da beleza das flores. O professor de Ciência Ambiental da Universidade da Província de Osaka, Yasuyuki Aono, disse na ocasião que a floração era a mais adiantada em 12 séculos, desde que dados assim começaram a ser compilados. Para o cientista, porém, esse adiantamento tem relação com a mudança climática global, publicou a Jiji Press. Dados registrados pela Organização Meteorológica Mundial divulgados em janeiro mostram que as temperaturas no mundo no ano passado foram as mais altas já registradas. “À medida que as temperaturas sobem, o início da floração ocorre mais cedo”, disse Aono para a Reuters.
Aquecimento global é uma expressão que diz respeito ao aumento da temperatura em nível mundial. Especialistas dizem que se a temperatura aumentar 2ºC, resultaria em problemas ambientais graves e irreversíveis. O chamado efeito estufa é um processo natural que garante a manutenção da temperatura da Terra para que a vida prossiga. O problema está no fato de as atividades humanas resultarem na emissão de gases poluentes, os chamados gases de efeito estufa, que se acumulam na atmosfera e causam a retenção do calor no planeta. Esses gases são monóxido de carbono, dióxido de carbono entre outros, que são emitidos com a queima de combustíveis fósseis, desmatamentos, queimadas, atividades industriais. É por isso que as nações buscam formas de reduzir a emissão de gases estufa.
O primeiro-ministro Yoshihide Suga prometeu, logo que assumiu o posto em 2020, que o Japão será neutro em carbono até 2050, proposta que condiz com o Acordo de Paris, segundo a imprensa internacional. Dentro do Japão já há pelo menos 150 governos locais que se comprometeram a atingir essa meta até a metade do século. Suga, porém, não explicou como o país se tornará neuro em carbono. Especialistas dizem que para atingir esse alvo o Japão precisará de uma ampla revisão de sua infraestrutura, já que é uma nação dependente de combustíveis fósseis que geram os gases estufa, dos quais o Japão é o quinto maior emissor no mundo.
Em 2019, o Japão já havia aprovado um plano para minimizar as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Entre as estratégias do governo japonês está o uso potencial de energia solar e eólica, embora ainda considere se valer de fontes fósseis e nuclear, o que gerou críticas de ambientalistas. Em termos de energia solar o Japão gera hoje 49 GW, ficando em terceiro lugar no mundo, atrás apenas da China e Estados Unidos.
O Japão é signatário do Acordo de Paris, de 2015, cujas diretrizes visam evitar que a temperatura global supere os 2 graus Celsius, segundo o DW. O país quer aumentar a mescla de fontes energéticas entre 22% e 24% até 2030, publicou a agência EFE. Energias provindas de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, chegariam a 56% do total, e a fonte nuclear representará 20% a 22% do plano japonês.
O Acordo de Paris, adotado na COP21 em Paris, França, trouxe uma nova estrutura para fazer cair os níveis dos gases de efeito estufa após 2020. O Japão não apenas considera este acordo justo, como também tem defendido a adoção de medidas desde o Protocolo de Quioto, lançado em 1997. Mas após o desastre de Fukushima em 2011, o Japão precisou abandonar a energia nuclear temporariamente e se apoiar no uso de combustíveis fósseis para geração de eletricidade. Hoje o país é o sexto maior no uso de usinas movidas a carvão, segundo o Global Coal Plant Tracker, as quais geram 45 GW de energia. Mas para atender as diretrizes do Acordo de Paris, o país precisa eliminar esse tipo de fonte de eletricidade até 2030. O Reino Unido, por exemplo, fechará sua última usina movida a carvão em 2025. Ainda que as usinas japonesas sejam tidas como as mais eficientes no mundo, não ajudarão o país a cumprir sua meta.
A eletricidade é responsável pela maior parte de consumo de gás no Japão, o que torna o país o seu maior importador no mundo. O uso do gás para gerar energia elétrica ganhou força após Fukushima. Mas o governo espera reduzir os atuais 40% de eletricidade gerada pelo uso de gás para 27% até 2030. Recentemente, também, o país anunciou que quer adotar carros elétricos, com estes modelos representando até 70% das vendas nos próximos nove anos.
Mas não é somente o governo que decidiu enfrentar esse desafio. Em 2018 foi estabelecida a Japan Climate Initiative (algo como Iniciativa do Clima no Japão). Até segunda-feira (31), esta rede reunia 655 organizações, incluindo empresas, municípios, universidades, institutos de pesquisa, organizações de negócios, organizações de consumidores, instituições culturais, grupos religiosos e ainda organizações não governamentais ou sem fins lucrativos. Todas as partes que compõem este universo trocam estratégias e soluções que podem ser implementadas no país para concretizar o projeto do governo de um país sem emissão de carbono em 2050.
Em seu comprometimento com a emissão zero de carbono, o Japão tem ajudado também outras nações, como as Filipinas, onde a fonte de energia fóssil, cara, instável e poluidora, existente em uma de suas ilhas, foi substituída por turbinas que geram energia limpa e sustentável. O país vizinho também está reciclando montanhas de plástico com a ajuda do Japão. Seguindo as diretrizes do Acordo de Paris, o Japão também tem dado suporte a países insulares, como Tonga e Papua Nova Guiné em suas lutas para lidar com as mudanças climáticas.
ဓာတ်ပုံ- iStockphoto




