ယိုကိုဆူကာ – Urnas abandonadas contendo cinzas de pessoas cremadas estão se acumulando aos milhares em todo o Japão, criando dores de cabeça no armazenamento e refletindo o desgaste dos laços familiares e as pressões econômicas em um país que está envelhecendo rapidamente.
As identidades dos mortos, cremados com verba pública, são geralmente conhecidas. Mas, na maioria dos casos, os parentes se recusam ou não respondem a solicitações de coleta de seus restos mortais. Os enterros podem ser caros e demorados, um fardo para os membros da família que mal conhecem o parente falecido.
“Quando eu morrer, embora tenha apenas 150.000 ienes, você vai me cremar e me colocar no túmulo de um pobre? Não tenho ninguém para recolher meus restos mortais”, disse uma nota deixada por um homem de 70 anos em Yokosuka (Kanagawa), que morreu em 2015 e cuja urna foi posteriormente enterrada em um templo local.
Os restos abandonados destacam as mudanças sociais, econômicas e demográficas no Japão, onde muitos idosos vivem de ajuda social e as famílias estão mais dispersas, enfraquecendo os laços e obrigações familiares tradicionais.
É um problema que provavelmente crescerá, dizem especialistas. Prevê-se que as mortes no Japão aumentem de 1,33 milhão por ano para 1,67 milhão até 2040, mesmo com a queda da população em geral.
A cidade de Yokosuka estava tão sobrecarregada com urnas abandonadas que ficou sem espaço em um cemitério prestes a entrar em colapso. Por isso, misturou cinzas de pessoas diferentes em um número muito menor de urnas que agora são armazenadas em uma caverna na encosta, com cerca de 50 novas urnas.
“O espaço para armazená-las está acabando”, disse Hitomi Nakamura, funcionária da cidade de Saitama, onde o número de urnas abandonadas cresceu acentuadamente nos últimos anos, para mais de 1.700.
“Muitos idosos estão vivendo de ajuda”, acrescentou ela, “e muitos deles podem se afastar de suas famílias”.
Os salários japoneses estão crescendo pouco, e muitos filhos de idosos vivem de aposentadoria, tendo que arcar com os custos funerários.
Um funeral tradicional, incluindo comida, bebida e presentes para os participantes, além de contratar um monge budista para cantar sutras, pode custar 2 milhões de ienes ou mais, disseram fontes do setor.
Novos negócios surgiram oferecendo funerais mais baratos, mas outros custos podem aumentar, incluindo milhares de ienes para enterrar a urna em um templo ou cemitério.
IDOSOS POBRES
Hoje, há mais idosos pobres do que nos anos anteriores, alguns dos quais não podem pagar seus próprios funerais. Quase 3 por cento dos idosos estavam recebendo ajuda financeira em 2015, quase o dobro da taxa de duas décadas atrás, mostram estatísticas do governo. Pouco mais da metade de todos os japoneses que ganham ajuda tem 65 anos ou mais.
“Há mais pessoas que morrem sozinhas, sem ninguém para cuidar de restos cremados por causa de relações familiares mais fracas”, disse Hisako Makimura, professora visitante de sociologia na Universidade de Kansai.
Nas décadas passadas, não era incomum que três gerações de famílias vivessem juntas. Mas especialistas dizem que, como a economia do Japão mudou, os casais têm menos filhos, e as pessoas tendem a se afastar de casa para trabalhar, entre outros fatores.
Quase 6.000 urnas se acumularam na cidade de Fukuoka, no sul do país, enquanto Osaka enterrou os restos mortais de 2.366 pessoas em um túmulo de uso em comum neste ano, depois que ninguém foi pegá-los no período de um ou dois anos.
O número de japoneses com 65 anos ou mais vai aumentar de 28% da população para 36% até 2040, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Previdência Social, apoiado pelo governo.
“Famílias e comunidades costumavam desempenhar papéis de cuidar de pessoas falecidas”, disse Makimura. “Mas o ônus sobre os governos locais provavelmente crescerá com o envolvimento deles em lidar com os aumentos”.
“MUITO ALIVIADO”
Em Yokosuka, mais idosos estão morrendo sem deixar instruções fúnebres ou informações sobre parentes.
As autoridades municipais vasculham suas casas e registros de recenseamento e tentam contatar os membros da família pelo correio, muitas vezes sem sucesso.
“Os mortos são cidadãos comuns. Pode acontecer com qualquer um”, disse Kazuyuki Kitami, um funcionário da cidade. “Estes ossos estão nos alertando de que estamos mal preparados.”
Notando que muitos restos abandanados eram de pessoas idosas pobres, a cidade de Yokosuka iniciou em 2015 um serviço de “apoio ao plano final” para residentes de baixa renda sem membros da família próximos.
Os cidadãos pagam pelo menos um quinto dos custos de cremação e enterro de 250.000 ienes, com o governo cobrindo o restante. Dezenas se inscreveram e, em maio, a cidade disponibilizou serviços semelhantes para qualquer pessoa.
“Sinto-me muito aliviado”, disse Sumitaka Horiguchi, 80 anos, após se inscrever no serviço e garantir que ele seja enterrado em um templo local.
Horiguchi nunca se casou e não vê seus três irmãos adotivos há muitos anos, então ele se preocupou com o que aconteceria com seus restos mortais quando morresse.
“Meus dias mudaram”, disse ele na casa de repouso onde vive. “Eu me sinto muito aliviado”.
ဓာတ်ပုံ- ရိုက်တာသတင်းဌာန
Urnas funerárias em Yokosuka
Urnas funerárias são abandonadas enquanto japoneses lutam com os custos de enterros pic.twitter.com/4gQsPQThZx
— Reuters Brasil (@ReutersBrasil) 22 de outubro de 2018




