တိုကျို- Quando se fala em violência doméstica, é comum imaginar uma mulher sofrendo agressões físicas e psicológicas de um namorado ou marido. Embora os casos mais comuns sejam realmente de vítimas mulheres, o problema é denunciado também por muitos homens, que não encontram os mesmos recursos para se defender.
Nesta sexta-feira, o jornal Sankei publicou uma reportagem contando casos de homens que sofrem com violência doméstica e a dificuldade que muitos possuem em buscar ajuda, seja por ter menos opções públicas de consultas ou pela vergonha e o receio de enfrentar o preconceito social.
Na reportagem, um assalariado na faixa dos 30 anos e morador da província de Tóquio contou que não conseguia voltar para a casa devido ao medo de sofrer agressões da esposa. De acordo com a vítima, demorar a responder algo ou colocar o controle remoto no lugar errado era motivo de chutes e tapas no rosto.
A vítima contou também que, algumas vezes, chegava a sangrar devido à intensidade das agressões físicas. “Eu fazia tempo na rua depois do trabalho e só voltava para a casa tarde da noite, quando tinha certeza de que ela já estava dormindo. Como dormíamos em quartos separados, sempre deixava uma mesa em frente à porta e ficava torcendo para que ela não entrasse”, contou.
O homem havia tentado se separar, mas a esposa se recusou a aceitar o divórcio e ainda fazia ameaças de que espalharia a situação dos dois em seu local de trabalho. Após um tempo nesta condição familiar e sem conseguir mais se concentrar no trabalho, a vítima finalmente tomou a decisão de procurar um advogado.
Em outro caso relatado, um homem também na faixa dos 30 anos e morador da província de Tóquio, contou que sofria mais abusos psicológicos do que físicos em casa.
“Minha esposa era graduada em uma universidade de prestígio, enquanto que eu só tinha formação no ensino médio. Tudo era motivo para que ela jogasse na minha cara que sou incompetente por não ter continuado os estudos”, confessou.
Neste caso, a vítima não conseguia se separar e buscar ajuda devido ao medo de ficar impedido de ver os filhos, que eram crianças pequenas.
Casos quadruplicados
Embora muitas localidades já tenham instalado guichês e telefones especiais para o atendimento de homens que sofrem violência doméstica, as opções de ajuda parecem não ser suficientes para resolver a questão e o número de vítimas está cada vez maior.
Só em 2014 foram 60 mil casos registrados em todo o Japão. O número bateu um recorde histórico e foi quatro vezes superior aos dados do ano de 2010. O advogado Mori Kounin, representante do Escritório de Advocacia Mori em Tóquio, contou que as consultas das vítimas aumentaram muito nos últimos anos.
De acordo com Mori, embora as consultas tenham aumentado, ainda há o problema de que muitos homens não pedem ajuda para resolver o caso, se isolam e preferem guardar a questão em segredo.
“Eles não querem que outras pessoas saibam da situação que vivem com as esposas, principalmente a família e colegas de trabalho. Alguns resolver não denunciar mesmo depois de ser socorrido de ambulância por causa das agressões”, explica.
O preconceito social é um dos principais motivos para que as vítimas prefiram esconder a procurar a liberdade. No entanto, alguns homens também aguentam os abusos apenas pelo medo de ficar longe dos filhos.
Baixo acolhimento
Para as mulheres que sofrem de violência doméstica, as opções sociais de auxílio e acolhimento são mais estruturadas. Embora haja guichês de atendimento para os homens, os próprios funcionários encontram dificuldade de auxiliar as vítimas.
De acordo com o representante da instituição Tokyo Womens Plaza, que atende vítimas de violência doméstica, a pouca aceitação torna a situação mais difícil para esses homens.
“Atendemos também casos de homens que são vítimas, mas às vezes é difícil auxiliar, pois a maioria das instituições de proteção e acolhimento aceitam apenas mulheres”, desabafou.
No entanto, para o advogado Mori, a solução está sempre em criar coragem e pedir ajuda, sem se importar com o preconceito social. “As vítimas devem recolher provas como exames realizados após as agressões físicas e fotos da residência para levar a questão ao tribunal”, orienta.
Foto: 2016 iStockphoto




