Uenohara, Japão – Um incêndio florestal que atingiu o Monte Ogi, entre as cidades de Otsuki e Uenohara, na província de Yamanashi, continua fora de controle, mantendo moradores em estado de apreensão. O fogo começou na quinta-feira (8) e, até a tarde desta sexta-feira (9), ainda não havia previsão de contenção, apesar dos esforços intensos das equipes de combate às chamas, informou o jornal Yomiuri.
Segundo autoridades locais, o incêndio se aproximou a cerca de 150 metros de áreas residenciais, aumentando o temor de que as chamas alcancem as casas ao pé da montanha.
O Corpo de Bombeiros informou que o foco inicial teria surgido ao longo de uma trilha da montanha, em um local onde havia bancos e materiais de madeira empilhados, que queimaram com intensidade no início do incêndio.
Além disso, há informações de que o Corpo de Bombeiros recebeu uma ligação de uma pessoa que realizava a limpeza de folhas secas em um santuário localizado na área montanhosa, relatando que uma fogueira acabou se espalhando e dando origem ao incêndio.
Diante do avanço do fogo, a prefeitura de Uenohara emitiu ordem de evacuação para 76 residências, afetando 143 pessoas. Até o momento, não há registro de feridos.
No distrito de Oome, em Uenohara, uma mulher de 73 anos passou a noite em um abrigo ao lado do marido. Visivelmente exausta, ela relatou que mal conseguiu dormir. “Achei que o fogo seria controlado rapidamente, mas parece que ainda continua se espalhando. Quero voltar para casa o quanto antes”, desabafou.
Outra moradora da mesma região, uma mulher de 72 anos, contou que o medo começou ainda no início da tarde do dia anterior. “Desde ontem não consegui comer de tanta ansiedade. Nunca vivi algo assim. No abrigo, o frio e o medo fizeram meu corpo tremer sem parar”, relatou.
Além dos bombeiros, integrantes da brigada local seguem monitorando a área atingida. Um morador de 49 anos, do distrito de Ono, afirmou que os residentes se revezam a cada 30 minutos para verificar se o fogo avança.
“Estamos preparados para agir imediatamente caso as chamas se aproximem das casas. Com a mudança do vento, existe o risco de o fogo alcançar a área residencial”, alertou.
As autoridades destacam que a falta de chuvas e o ar seco têm contribuído para a propagação do incêndio. Em Uenohara, um alerta de risco de incêndio florestal está em vigor desde o dia 1º de janeiro. De acordo com o Observatório Meteorológico de Kofu, pode haver chuva em alguns pontos da província na noite de sábado (10), mas a previsão indica que o tempo seco deve persistir em toda a região.
Dados da Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Ministério do Interior do Japão mostram que os incêndios florestais atingiram um pico histórico em 1974, com 8.351 ocorrências. Desde então, o número anual gira em torno de 1.300 casos. Em 2024, houve uma queda inédita para 831 registros, mas em 2025 grandes incêndios voltaram a ocorrer em cidades como Ofunato (Iwate), Okayama e Imabari (Ehime).
Esse tipo de incêndio tende a aumentar no início do ano, quando o ar está mais seco, e atinge o pico em abril, período de maior atividade ao ar livre e de queimadas. As principais causas continuam sendo ações humanas, como fogueiras e descarte inadequado de cigarros.
A agência nacional reforça o alerta: “É fundamental acompanhar diariamente os avisos emitidos por prefeituras e órgãos meteorológicos. Ao utilizar fogo, jamais se afaste e mantenha água por perto para evitar tragédias”, orienta.




