Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na sexta-feira (19) uma ordem executiva que aumenta de forma significativa a taxa anual de solicitação do visto de trabalho para estrangeiros com conhecimentos e habilidades especializadas. O valor, que antes era de algumas centenas de dólares, passará a ser de US$ 100 mil (cerca de R$ 532 mil ou 15 milhões de ienes), informou a agência japonesa Jiji Press.
Segundo o governo, a medida tem como objetivo restringir, na prática, o emprego de estrangeiros e incentivar empresas a priorizar a contratação de americanos. A decisão deve impactar também profissionais japoneses que atuam nos EUA.
Em coletiva na Casa Branca, Trump declarou: “Se não quiserem pagar 100 mil dólares, que contratem trabalhadores americanos.”
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, reforçou a posição: “Não devemos mais aceitar estrangeiros que venham tirar nossos empregos.”
A mudança atinge o visto H-1B, destinado a estrangeiros altamente qualificados nas áreas de tecnologia da informação, finanças, saúde e outras profissões especializadas. O visto permite permanência temporária nos EUA por até seis anos.
De acordo com a agência Reuters, setores de ponta da economia americana dependem fortemente desses profissionais, e a nova medida pode gerar escassez de mão de obra qualificada nos próximos anos.
A Amazon, por exemplo, teve mais de 10 mil vistos deste tipo aprovados em 2025, enquanto a Microsoft e a Meta tiveram mais de 5 mil cada, de acordo com os Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA.
Novas regras para visitantes
O governo dos Estados Unidos anunciou, em agosto e setembro, duas mudanças relacionadas à concessão de vistos que devem impactar estrangeiros de várias nacionalidades — incluindo os brasileiros.
A primeira alteração entra em vigor em 1º de outubro e modifica a regra sobre quem precisa comparecer a uma entrevista presencial para obter o visto americano, inclusive o de turismo (B-1/B-2). A partir dessa data, menores de 14 anos e maiores de 79 anos passam a ser obrigados a passar pela entrevista, algo que antes era dispensado. A medida vale para todos os países que exigem visto para entrada nos EUA.
Apesar disso, algumas categorias continuam isentas da entrevista, como renovações de vistos válidos ou expirados há menos de 12 meses (desde que emitidos após os 18 anos), vistos diplomáticos e oficiais, vistos de organismos internacionais, além de trabalhadores agrícolas temporários (H-2A). Mesmo nesses casos, porém, os consulados poderão convocar para entrevista caso julguem necessário.
A segunda mudança, anunciada pela Casa Branca em 19 de agosto, envolve o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS). A partir de agora, o órgão passará a considerar o “antiamericanismo” como critério na análise de vistos e outros benefícios de imigração. Isso significa que estrangeiros poderão ter pedidos negados caso os agentes identifiquem, por exemplo, em suas redes sociais, apoio a discursos ou grupos classificados como hostis aos EUA, antissemitas ou ligados a terrorismo.
Em comunicado, o porta-voz do USCIS, Matthew Tragesser, afirmou: “Os benefícios dos Estados Unidos não devem ser concedidos àqueles que desprezam o país e promovem ideologias antiamericanas. Viver e trabalhar nos EUA continua sendo um privilégio, não um direito.”




