Matsusaka, Japão – Os três principais hospitais da cidade de Matsusaka (Mie) começaram a cobrar 7.700 ienes de pessoas que chamam ambulância sem necessidade, informou o jornal Yomiuri.
A medida, que entrou em vigor este mês, visa reduzir o uso inadequado de ambulâncias, já que o aumento no número de atendimentos está sobrecarregando o sistema de emergência. A cobrança não será aplicada em casos de hipertermia e insolação em escolas ou acidentes de trânsito.
Os hospitais envolvidos são o Saiseikai Matsusaka General Hospital (済生会松阪総合病院), o Matsusaka Chuo General Hospital (松阪中央総合病院) e o Matsusaka City Hospital (松阪市民病院). A mesma abordagem é praticada desde 2008 pelo Hospital da Cruz Vermelha de Ise (Mie), mas é raro que vários hospitais em uma região adotem essa prática simultaneamente.
De acordo com uma pesquisa realizada entre abril e junho de 2022, cerca de 50,6% dos pacientes transportados de ambulância durante os dias úteis foram internados, enquanto nos finais de semana e à noite, essa taxa caiu para 37,1%. Há casos de pessoas que ligaram para o númeto de emergência 119 somente porque queriam uma carona ou por causa de um pequeno corte no dedo.
O aumento no número de chamados de emergência é alarmante: em 2004, foram 7.945 casos, subindo para 15.539 em 2022, e atingindo um recorde de 16.180 no ano passado.
Esse crescimento coloca pressão sobre o serviço de emergência, que frequentemente precisa responder a novos chamados quase imediatamente após concluir um atendimento.
O tempo médio de resposta das ambulâncias aumentou de 6 minutos e 18 segundos em 2002 para 10 minutos e 18 segundos em 2022, o que pode afetar negativamente a taxa de sobrevivência em casos críticos.
As opiniões dos moradores de Matsusaka à nova taxa são mistas. Alguns, como um homem de 33 anos que já utilizou uma ambulância devido a uma pneumonia, afirmam que ainda chamariam a ambulância mesmo com a cobrança. Outros, como uma mulher de 53 anos, temem que a taxa de 7.700 ienes torne difícil decidir chamar uma ambulância, especialmente quando não é claro se o caso é grave ou não.
O professor Shozo Nagata, da Universidade de Kansai, compreende a medida como uma tentativa de reduzir os chamados, mas ressalta a importância de melhorar os sistemas de consulta para que as pessoas saibam quando é realmente necessário acionar uma ambulância. Ele enfatiza a necessidade de uma maior conscientização entre os cidadãos sobre o uso adequado dos serviços de emergência.
Foto: PhotoAC




