Tóquio – Uma análise da emissora NHK mostrou nesta terça-feira (2), que cerca de 8.400 crianças estrangeiras podem estar fora da escola primária (shougakkou) ou ginasial (chugakkou) no Japão.
O governo japonês e as prefeituras locais levantam anualmente dados relacionados ao número de crianças que não estão frequentando a escola.
No entanto, como a educação no país não é obrigatória para as crianças de origens estrangeiras, o governo não reúne esses dados.
Para chegar a este número, a NHK, com ajuda de especialistas, analisou as estatísticas do governo com relação aos estrangeiros residentes e os levantamentos básicos das escolas, chegando a cálculos preliminares.
Os resultados mostraram que, no ano passado, das 120 mil crianças estrangeiras entre 6 e 14 anos de idade, que residem no Japão, cerca de 8.400 podem estar longe das salas de aula.
Com relação a essas crianças, as prefeituras locais não têm conhecimento sobre seus cotidianos ou nem mesmo sobre suas residências.
São crianças que podem ter deixado o país com o jumin-hyo (certificado de residência) ou simplesmente estarem estudando em escolas estrangeiras, não reconhecidas pelo governo.
A professora de sociologia e educação da universidade Aichi Shukutoku, Yoshimi Kojima, que faz pesquisas relacionadas as crianças estrangeiras, comentou sobre a análise.
“A falta de obrigatoriedade de estudo para crianças estrangeiras é algo muito grave. Com tantas crianças fora da escola no Japão, nós precisamos discutir como lidar com essa realidade, como um país de primeiro mundo. Esta atitude precisa ser revista, ou o Japão vai ficar para trás neste mundo cada vez mais globalizado”, criticou, em entrevista à emissora.
A análise não pôde definir as nacionalidades das crianças que possivelmente estão fora das escolas.
Foto: Reprodução/NHK